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Câmera Record conquista o VII Prêmio República de Valorização do MPF

Sexta, 03 de Maio de 2019

O Câmera Record venceu, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal. A cerimônia com o anúncio dos ganhadores ocorreu na terça-feira (30/04), em Brasília, e o programa conquistou a honraria com a reportagem “Carvoarias, A Amazônia em Chamas”, que denunciou a devastação provocada pela produção clandestina na região. Em 2018, o prêmio foi concedido ao documentário “Dossiê Presídios: A Guerra das Facções.”.

 

Além disso, mais duas reportagens do Câmera Record, “A Crise na Fronteira com a Venezuela” e “O Mapa da Fome no Brasil”, ficaram em segundo e em terceiro lugar respectivamente.

 

O prêmio, um dos mais importantes do país, é uma iniciativa da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), e, segundo os organizadores, “tem como objetivo identificar e dar visibilidade à atuação dos membros do MPF, além de estimular parcerias entre os entes que se dedicam à promoção da Justiça e à defesa do Estado Democrático de Direito”. Na edição deste ano houve 142 inscrições, divididas em 15 categorias e que “as iniciativas foram analisadas por 17 jurados que definiram os finalistas com base nos seguintes critérios: alcance social, criatividade, complexidade, eficiência e potencial de multiplicação”.

O documentário “Carvoarias, A Amazônia em Chamas” abriu a temporada de 2018 do Câmera Record, em 18 de janeiro daquele ano. O programa mostrou uma reportagem exclusiva sobre carvoeiros clandestinos que estão devastando áreas imensas da Floresta Amazônica para produzir o carvão que é usado no tradicional churrasco do brasileiro.

Durante 10 dias, os repórteres Romeu Piccoli, Sheila Fernandes, Michel Mendes e o editor Márcio Strumiello percorreram mais de 1.000 km por rodovias e estradas abertas ilegalmente, no meio da Amazônia, para investigar a devastação provocada pela produção clandestina de carvão.

Pela primeira vez na TV, jornalistas revelaram todo o processo de produção do carvão: o corte, a construção do forno, a queima da madeira e a venda nas grandes cidades.

O programa detalhou cada uma dessas etapas. A equipe flagrou o corte em terras devolutas do Estado e da União. Entre as cidades de Itacoatiara e Rio Preto da Eva, a 250 km de Manaus, a equipe encontrou uma enorme clareira cinza, do tamanho de um estádio de futebol. Os responsáveis por transformar a área num cemitério de árvores já cortaram centenas de árvores centenárias desde que chegaram à região, há alguns meses. Eles derrubam madeira o mês inteiro, com jornadas diárias de 14 horas, em troca de um salário mínimo.

Antes da invasão dos carvoeiros, a floresta era densa e abrigava diversas espécies de plantas e animais, agora é terra arrasada, sem vida.

Após o corte, Daniela, de 35 anos, e o filho, de 13, levam as toras de madeira, já fatiadas, até o forno, que é um buraco feito no chão, cercado por paredes de tijolos. Cabem 12 árvores, que levam de 3 a 4 dias para queimar. "É árduo, suado, difícil mesmo. As pessoas podem olhar pra gente e achar que a gente faz isso porque gosta ou porque ganha muito dinheiro, né? Mas não é não, é pouco dinheiro e muito trabalho. Eu sinto muita tristeza, porque isso aqui é meu, é dos meus filhos, dos meus netos, de todo mundo... E estamos destruindo", lamenta Daniela. Ao ser perguntada se ela e o filho sabem que estão cometendo crime, Daniela responde com lágrimas nos olhos: "Crime é meus filhos passarem fome".

Diariamente, pais e filhos trabalham na queima do carvão e o programa denuncia a falta de acesso à escola e os riscos à saúde dos trabalhadores, nessa que é a fase mais prejudicial à saúde do trabalhador. "Eles estão se envenenando, já que isso vem de geração em geração. É como se o destino tivesse dado a essas pessoas uma única chance: eles vão ter que viver menos e viver pior", explica o médico Paulo Saldiva, patologista do Hospital das Clínicas.

O Câmera Record também revelou como são feitos o transporte e a venda desse material. Recém-retiradas do forno, as toneladas de carvão são embaladas em sacos e armazenadas em uma casa escondida no meio da mata. É a vez do atravessador entrar no esquema. O programa flagrou mais de uma tonelada de carvão, dentro de um veículo aos pedaços, vencendo uma barreira policial na estrada. Tudo registrado bem de perto. E, em cada esquina das grandes cidades, o destino final do carvão clandestino: na grelha, usado para fazer churrasco.

Além dos repórteres citados, receberam o prêmio Gustavo Costa, Leandro Pasqualin, Lucas Augusto, Rafael Gomide, Lucas Mioni, Renan Larangeira, Fábio Martins, Daniel Salvia, Diego Molina, Pablo Toledo, Mateus Munin e Renata Garofano.

Fotos: divulgação/Record TV

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